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A produção de castanha de caju representa uma fonte de sustento crucial para milhares de pequenos produtores no semiárido do Rio Grande do Norte, sendo especialmente relevante durante a entressafra de outras culturas. Contudo, essa atividade econômica vital é permeada por sérios desafios, incluindo a ausência de equipamentos de proteção adequados, resultando em lesões nas mãos dos agricultores, e a alarmante persistência do trabalho infantil em diversas comunidades.
No estado, que ocupa a terceira posição nacional na produção de castanha de caju, com 20,5 mil toneladas anuais, a extração artesanal é predominante, como exemplificado na comunidade indígena Amarelão, em João Câmara, onde 42 toneladas são beneficiadas semanalmente. O processo envolve torrar, cozinhar e quebrar a castanha, liberando o Líquido da Casca da Castanha de Caju (LCC). Essa substância corrosiva é responsável por queimaduras severas, irritações cutâneas e até a remoção de impressões digitais, como vivenciado por trabalhadores experientes como Sebastiana de Souza Raimundo e Damião Raimundo, que, após anos de trabalho desprotegido, hoje utilizam luvas.
A questão do trabalho infantil, embora não flagrada em uma reportagem recente, permanece uma preocupação latente. Registros de 2012 pelo programa Profissão Repórter já documentavam sua ocorrência. Mais recentemente, em 2023, auditorias trabalhistas identificaram 30 adolescentes com lesões nas mãos decorrentes da manipulação da castanha. A auditora do trabalho Marinalva Dantas reitera que o problema persiste, enfatizando a importância de que famílias compreendam a ilegalidade do trabalho para menores de 18 anos, e que a imagem de crianças com mãos feridas é um alerta para a urgência da situação.
Diante desse cenário complexo, que associa a geração de renda à vulnerabilidade social e à violação de direitos humanos, torna-se imperativo o engajamento das esferas governamentais. A auditora Marinalva Dantas sublinha a necessidade de que prefeituras e o governo estadual ofereçam apoio e implementem políticas eficazes para garantir a segurança dos trabalhadores e erradicar o trabalho infantil, assegurando que a castanha de caju, fonte de prosperidade, não seja também fonte de sofrimento para as futuras gerações.
Fonte: Globo Rural
Escrito por Paulo Roberto Dias
Agricultura Familiar Castanha de Caju Rio Grande do Norte Trabalho Infantil
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